Publicado por: hemodialisando | 09/06/2011

Resignação e paciência

Conheça a história de Sandro Botelho que realizou transplante de rim

Uma longa fila de transplantes. Foi o que enfrentou Sandro Botelho, 32, que após muitas dificuldades, ganhou de presente o transplante de um dos rins.

Sandro Botelho

Sandro Botelho

Botelho sofreu um acidente de trabalho com uma empilhadeira que perdeu o freio e acertou o seu joelho esquerdo há alguns anos. Este episódio culminou na odisséia quase interminável pela qual ele passou. No tratamento desse acidente na Policlínica do Hospital Primeiro de Maio, os médicos diagnosticaram além do trauma ósseo sofrido, a sua insuficiência renal.

Aos 24 anos, ele descobriu que estava com a pressão arterial na casa dos 26 por 15. “Levei um susto, porque não sentia nada e a pressão alta fez com que meus rins ficassem fracos. Isso me fez enxergar que a insuficiência renal é como os médicos dizem um inimigo silencioso”, destacou.

No início do tratamento, Sandro contou sobre sua relutância. “Fiquei depressivo e muito triste com tudo o que eu estava vivendo, e logo no começo, eu vinha para as sessões de hemodiálise no Baleia com muita revolta no meu coração, e com má vontade”, afirmou.

Para tentar amenizar os efeitos da insuficiência renal crônica vivida, Sandro mobilizou parentes próximos para se sujeitarem a exames laboratoriais para saber se havia a possibilidade de realizar o transplante de rins. No entanto, os exames não foram compatíveis e ele teve que entrar na fila de transplantes.

Como já estava na fila de transplante de rins há sete anos, após longa jornada de paciência e esperança ele acabou encontrando um doador.  “Foi preciso que um garotinho de 11 anos perdesse a vida em Porto Alegre para que eu tivesse meu rim novo. E agradeço a família lá no sul que foi tão caridosa me ajudando”, destaca.

Botelho conta ainda que a esposa Daniela de Araujo foi durante todo esse processo uma grande amiga. “Se não fosse ela acho que não conseguiria superar tudo o que superei. Ela se preocupou comigo durante todos esses anos e cuidou muito bem da minha alimentação e dieta, sempre, com muito carinho”, disse.

Ao longo dos anos o transplantado familiarizou-se com todos os pacientes que realizavam as sessões no seu turno de tratamento. “Fiz grandes amizades durante todo esse tempo, fui à casa das pessoas que faziam hemodiálise na minha época, participei das festas juninas do Baleia, dancei forró com minha esposa e enfermeiras, e brinquei muito com o povo vestido de palhaço que vem até o Baleia nos alegrar. Fiz também um grande amigo, o Bruno que também faz tratamento de hemodiálise e hoje, é meu maior amigo, completou.

 Agora, Sandro espera o encaminhamento médico para a perícia para ver as condições reais da sua saúde e voltar a trabalhar.

Desejo de compartilhar experiências

Com um sorriso no rosto e um brilho inquietante no olhar, Sandro, solicitou que fosse registrado um recado dele para as demais pessoas que sofrem de insuficiência renal crônica.

 “Como um  transplantado eu aprendi muita coisa e quero dividir com as pessoas. Quem tem o rim debilitado tem que ter em mente que a dieta é uma das coisas mais importantes. Não pode exagerar na ingestão de líquidos e nem de água, porque, esses líquidos ficam retidos no sangue e podem ir ao pulmão. Tem que tentar evitar o inchaço causado pelos líquidos e controlar a pressão alta”, completa Botelho.

Ainda sobre todo o processo vivenciado pelos pacientes renais crônicos ele acrescenta. “Aos pacientes que estão fazendo qualquer espécie de diálise ou estão na fila de transplantes de rins, eu quero dizer que é preciso muito coragem! Com certeza, uma vida nova recomeça com grande um grande sacrifício, e o resultado é compensador e vale muito acreditar. Fé em Deus e ser perseverante são fundamentais em todo esse processo de buscar vida, afirmou com os olhos marejados.

 Por Ana Lúcia Figueiredo, João Paulo Costa Jr. e Raphael Jota.


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