Publicado por: hemodialisando | 02/05/2011

Primeiro contato

Primeiro contato

Descemos na porta do Hospital da Baleia, eu e Débora, ao meio dia e meio do dia 16 de abril, era sábado e fazia muito calor, especialmente porque estávamos de tênis, uma das poucas exigências feitas pela direção do hospital, como condição para que tivéssemos acesso à ala de hemodiálise do prédio. Depois de enfrentar dois ônibus e atravessar a cidade chegamos. Visto de fora, o lugar parece um parque, com muitas árvores e plantas, mas no interior, a primeira impressão é que trata-se de um lugar frio, mesmo que do lado de fora estivesse tão quente.

O odor característico de hospital se assemelhava ao cheiro de vinagre, daquele mesmo tipo de colocar na salada do almoço, só que bem mais forte. Acho que foi esse odor forte que acabou tirando a Débora da ala de hemodiálise, fazendo com que ela passasse mal um tempo depois que conseguimos entrar  no local.

Um dos pacientes me informou que àquele grupo, daquele dia e horário, vinha de Vespasiano e que uma van da prefeitura da cidade fazia o transporte do grupo às terças, quintas-feiras e sábados. Reparei que todos eles eram bem simples e que a maioria tinha aspecto de cansados, muitos dormiam, mas nenhum dos pacientes que estavam deitados naquelas macas parecia estar realmente bem. Mulheres, homens e crianças, mas a maioria era composta por idosos e pessoas bem debilitadas de saúde, mas repito: trato aqui das aparências… Pode ser que tenha tido uma impressão errada ou que pelo fato de ser fim de semana, as pessoas estivessem mais cansadas mesmo, depois de tantos afazeres semanais e com uma rotina que inclui 16 horas de hemodiálise semanal.

O fato é que consegui, por sorte, encontrar o Sr. Fábio, de 63 anos, que estava um pouco mais disposto no dia e também é muito falante. Conversamos por um tempo e ele me contou histórias engraçadas sobre a vida dele, algumas até meio desconexas, mas enfim, entre outros esse foi um dos motivos pelos quais a visita valeu  muito à pena. Eu ainda conversava com o Sr. Fábio, quando a enfermeira chefe Andréa, pediu que para que me retirasse da ala, já que faltava pouco tempo para os tempos das sessões vencerem e de acordo com ela, alguns pacientes se sentem mal ou o sangue pode esguichar nas pessoas durante a retirada das agulhas.

Não conto aqui o que eu e Sr. Fábio falamos, mas conto que ao sair encontrei a Débora bem melhor, as bochechas dela já tinham retomado o tom rosa e partimos dali conversando sobre mais essa experiência, que foi impressa em nossas vidas graças ao curso de jornalismo.

Por Danielle Gláucia 


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